segunda-feira, 6 de abril de 2009

QUANDO O PAI TRANSFERE SUA FRUSTRAÇÃO PARA SEUS FILHOS.


Tenho refletido muito nestes dias sobre alguns acontecimentos e estou fazendo uma analogia ao artigo que publiquei no dia 17 de março, de um e-mail que recebi do nobre amigo Orlando Barros.
No último final de semana, na rodada do campeonato estadual de Santa Catarina na categoria Sub 17, em Jaraguá do Sul, as equipes de uma instituição educacional e também a equipe de uma cidade vizinha, protagonizaram, os pais dos atletas, uma cena nada exemplar para seus filhos, que dentro da quadra estavam brindando a todos os presentes um belo jogo, com alternativas táticas e também criativas dos atletas, mas os pais que não querem ficar como coadjuvantes, neste processo arrumaram uma briga na arquibancada.
Que coisa feia e de muito mau exemplo, é inadmissível que nesta época de globalização ainda aconteça esses tipos de ações e que denigre nosso esporte.
Eu quando trabalhava no grande Vasco da Gama, clube que só tenho recordações boas e também muito a agradecer a todos que ali convivi, pois se estou hoje em uma situação privilegiada todos têm grande participação. Mas vivi uma experiência também não muito agradável, quando a equipe Pré Mirim (sub 10) do Vasco da Gama, dentro das Laranjeiras, eliminou a fortíssima e favorita equipe do Fluminense de uma final da categoria, e logo que acabou o jogo por uma ação impensada do meu amigo Alexandre (treinador do Vasco da Gama), a torcida de pais do Flu, entrou em quadra e partiram pra cima do Alexandre, e eu como conhecia a todos entrei para acalmar e apaziguar os ânimos de ambos os clubes.
Mas com certeza estas atitudes partem de pais despreparados e querendo com certeza transferir o seu insucesso como atleta frustrado em sua juventude, para seus filhos ainda em formação, dando uma responsabilidade muito grande para estes jovens e futuras promessas do nosso esporte, e que na verdade a cobrança é muito grande para esses jovens valores, cobrando sempre um desempenho que muitas vezes ainda não é a hora.
Ainda lembro que nos finais das temporadas ao comunicar aos pais e também aos atletas que eles não mais estariam nos planos do clube, as reações eram diversas e assustadoras, pais que pediam para permanecer no clube mesmo sabendo que seus filhos não jogariam, pais que diziam que treinadores eram incapazes de fazer uma avaliação, mesmo tendo ganhado o título de campeão. Nem vou me alongar, mas era de chorar as reações dos pais.
Isso se passava em todas as categorias, de sub 8 a profissional, e ainda acontece, claro que nas devidas proporções.
Ainda recebo e-mails, é claro que todos lidos e arquivados com muito carinho, com todas as respostas em anexo dos mesmos, além é claro dos telefonemas, todos os dias recebo, indicações de pais, amigos, parentes entre outros, e acho muito louvável e também interessante de como os pais correm atrás dos seus “desejos”, em buscar o sucesso que eles não alcançaram quando jovens para seus amados filhos.
O que alerto e não posso concordar é a transferência dessas responsabilidades, são os pais que querem de qualquer jeito transformar seus filhos naquilo que eles próprios não conseguiram ser, a frustração ainda é maior quando essas jovens promessas apontadas por especialistas ficam no meio do caminho, triste para todos, mas pior para os pais.
Para finalizar lembro ainda do maior absurdo que recebi inúmeros telefonemas e e-mails de pais para que eu levasse seus filhos para a Seleção Brasileira de Futsal (sub 20), imagina aonde os pais chegam para alcançar o tal sucesso de seus filhos.
Não abro mão da dignidade e tão pouco do educador e profissional que somos, precisamos agir em favor desses diamantes atletas, precisamos lapidar e deixar que seu brilho resplandeça, sem que as influências negativas atrapalhem o sucesso, e que não mais tomemos conhecimento destas brigas de pais nas arquibancadas.
Um abraço
Kleber Rangel

2 comentários:

  1. Kleber,

    parabéns por conseguir sintetizar de uma forma clara, o que notamos no comportamento de muitos pais que querem se realizar na vida do filho. Estamos começando um projeto de Sub-17 aqui na Unisul e por incrível que pareça, quanto mais novos são os meninos, mais os pais passam essa "responsabilidade" que você pontua muito bem.
    Abraço,

    Michel Guedes
    Seguridade/Unisul/Penalty

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  2. Parabéns por comentar com franqueza e sensibilidade sobre a síndrome que acomete muitos dos pais destas pedras preciosas a caminho.

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